O Mario Yanase escreveu um artigo muito interessante falando que a infância das crianças nos dias de hoje é muito diferente da que tivemos alguns anos atrás. E de fato, assim como ele fala em A última infância feliz, as crianças hoje não tem mais a mesma inocência e a mesma pureza que existia há uns dez anos atrás. Vejo que as crianças não se parecem mais com a criança que eu fui.
Os fatores dessa mudança são vários, incluindo aí a própria evolução natural. Com o passar do tempo tudo muda, a sociedade muda e não seria diferente com os pequenos também. Porém, ao meu ver, ao invés de evoluir para algo bom, a infância está cada vez mais deixando de existir.
Crianças já se portam como adultos. Meninas aparecem maquiadas. Crianças com roupa da moda, celular, MSN, Orkut. A vida social delas é igual a de um adulto. Ou talvez tenham mais vida social ainda. Isso sem falar em namoros, beijos e sexo, que cada vez começam a acontecer mais cedo.
Mas na minha humilde opinião, eu acho que os culpados de boa parcela disso tudo somos nós, os adultos. Primeiro porque, como pais, não nos damos ao trabalho de cuidar eficientemente da formação do caráter dessas crianças. Não ensinamos princípios e moral. Deixamos que aprendam com os outros, ou pior ainda, na rua. E todos nós sabemos que esse tipo de educação acaba levando as crianças para o lado ruim da vida e se perdendo por caminhos errados.
Claro que aqui faço uma generalização. Nem todos os pais são assim, mas é sabido que a maioria das crianças não recebem uma educação moral adequada. Seja porque os pais estão sempre ocupados atrás do sustento da casa – o que é algo muito comum nos dias atuais – ou por puro desleixo mesmo. E sem receber esta educação, e principalmente, sem ter modelos a seguir, elas acabam por sugar tudo o que vêem ao seu redor. E é isso que dita a formação do seu caráter.
Acrescento a isso a vulgarização do sexo e a exposição demasiada de imagens e cenas eróticas. Em novelas que passam em horário nobre, cenas de beijos quentes e sexo já se tornaram normais. Músicas com letras como “só as cachorras”, “daku é bom”, e outras que fiz questão de esquecer ou tive o prazer de não ter ouvido são cada vez mais tocadas em rádios e cantadas por todas as pessoas, incluindo-se as crianças. Há algum tempo atrás, no começo do grupo É o Tcham, com a música que dizia algo como “vai descendo na boquinha da garrafa”, onde meninas rebolavam em cima de garrafas e outros objetos, sendo assistidas por adultos que achavam “uma graça”, sem dar importância à vulgaridade que havia por trás disso. É claro que as crianças muitas vezes nem sabiam o que estavam fazendo. Mas os adultos sabiam. E muito bem. E ainda existem reality shows como o Big Brother, que é um programa recheado de putarias cenas de cunho erótico e sexual. E a audiência disso é gigantesca. E isso é passado para crianças também.
Infelizmente o sexo vende, e a mídia em geral se usa deste artifício para lucrar sem se importar com as conseqüências. Basta olhar o que era Britney Spears e Christina Aguilera no começo da carreira e o que são hoje. Sempre se apela para sexo, drogas e dinheiro. E quem ainda não tem um caráter formado – ou seja, em formação – absorve todas essas informações e, por estarem em todos os cantos, acabam julgando como certo e passam a viver com esses parâmetros.
Posso estar completamente enganado, mas ainda acho que crianças devem continuar sendo crianças. E cabe aos pais ensinar o que é certo e errado, e se for o caso, desligar a TV ou trocar de canal quando aparecerem cenas ou diálogos impróprios. Devemos deixar que brinquem, que se sujem, que corram. E não expô-las a um mundo adulto totalmente vulgarizado e capitalista.
Fábio!
Assino embaixo. Poderia acrescentar coisas, mais apenas redundariam.
Estava mesmo sentido falta de teus escritos por aqui.
Abraços!
Sérgio
Fábio, a minha frase preferida é assim:
A última criança que teve uma boa infância nasceu em 07/07/1968… he he he sem modéstia!!!
Sergio,
Pode acrescentar, sim. Mesmo que redundante, toda ajuda é bem-vinda.
Adão,
Muito modesto, Adão, muito modesto!
Cyn,
Caso sim! Onde eu assino?
Infelizmente é assim. Nao existe mais infancia inocente como a nossa. Nao existem mais criançaas que se divertem com qualquer coisa, devido àsua grande imaginaçao, sem precisar de playstation pra isso. Crianças que prefiram sair pra andar de bicicleta, skate, jogar bola, pular corda e se ralar todo numa queda ou aprontar alguma. Nao tem. Agora so querem saber de imitar as “estrelas” da tv e da musica e o exemplo que elas tem sao adolescentes gravidas e drogadas.
Tudo isso me preocupa muito. Gostaria de poder criar meus(nossos?) futuros filhos num ambiente mais inocente (sem ser bobo obviamente), mais puro, mais tranquilo, mais fantasioso, mais criativo, mais saudavel. Pq existe tempo pra tudo, tempo pra ser criança e tempo para crescer. Mesmo quando deveriamos todos manter vivas as crianças que temos dentro de nos.
Desde já sou testemunha!!!
a realidade da maioria dessas crianças é virtual. Sexo deixou de ser coisa pra adulto e passa a ser normal entre crianças de 9, 10 anos. E infelizmente alguns pais estão ocupados demais pra verem isso a tempo de corrigir. Tenho penas dessas crianças.
Cyn,
Acredito ser possível criar os filhos em um ambiente saudável. Basta que para isso sirvamos de exemplo, além de ensinar desde cedo o que é certo e o que é errado em termos morais. E cá entre nós: acho que seremos ótimos pais, modéstia à parte!
Adão,
Estamos contando contigo!
Bella,
É verdade, e eu tenho pena também. Mas tenho mais pena ainda é das crianças que virão, pois o ambiente será muito pior. E quanto aos pais estarem ocupados, entendo que cada caso é um caso, mas a maioria é por desleixo mesmo.
Cara, como educador profissional devo dizer que realmente esse post faz todo o sentido do mundo…Muitos pais preferem confiar na babá eletrônica (é “di gratis”, é “eficiente” – entretém a criança) da TV de forma incondicional e de fato os adultos acham bonitinho as crianças dançarem na boquinha da garrafa (e depois reclamam do comportamento vulgar) e por aí vai.
Por fim, adiciono que muitos pais dão uma educação de merda e depois a escola que se dane: ela que assuma tudo.
Renato,
O pior é que os pais passam a responsabilidade da educação para as escolas. E escolas não tem preparo para isso. E o resultado disso é o que vemos nas ruas.
Abração!
Fábio
Concordo com a análise da atual conjuntura moral e social na qual estamos mergulhados. Mas não sei se as crianças foram em algum tempo tratadas como crianças. Tenho comigo que elas sempre foram tidas como mini adultos e são poucas aquelas que realmente tiveram uma infância dedicada as brincadeiras e a “inocência”.
Basta olharmos a história e ver como o trabalho infantil sempre foi utilizado, e ainda hoje temos esse problema. Cresci no interior do país e com crianças que desde cedo tiveram que trabalhar no campo, plantando, colhendo, tirando leite, ajudando os pais no seu pequeno comércio e indo a escola. E aquelas que tinham uma condição de vida mais abastada eram colocadas em cursos disso e daquilo porque “é preciso se preparar desde cedo para quando crescer ganhar bem”.
Talvez eu esteja sendo ousado em dizer isso, mas creio que vivemos uma infantilidade generalizada: nós adultos queremos nos entregar a todos os desejos como crianças que querem um doce. E assim acabamos agindo como crianças que ainda não tem idéia de que o mundo não gira em torno de nós. Disso, decorre os fato de nós adultos olharmos as crianças como “mini-nós”, e fazemos com que elas tenham uma visão equivocada de que os adultos são felizes.
Por fim, me parece uma quimera pensar que um dias elas foram tratadas como crianças. Penso que elas sempre foram vistas como projetos de adultos, pois “elas são o amanhã”.
De minha parte, tive a sorte de ser criança, e desejo nunca esquecer disso….
Ja te falei que vc ganharia muita grana escrevendo auto-ajuda? Só um pouquinho mais de neurolinguistica e técnicas de persuasão e vc estaria rico.
Vai por mim.
*PS: Texto muito singelo.
Fabio!
Já faz tanto tempo que nem sei se lembras que me visitou… Bem, desculpe… vim aqui tardiamente pois estive em fase de “um quase fim de blog” e por várias vezes mudei de idéia e tantas coisas aconteceram, mas enfim… Estou de volta e agora é pra ficar!
Agradeço as gentis palavras deixadas em meu post “O valor das pequenas coisas”.
Parabéns pelo blog! Excelentes escritas!!!
E sobre a perda da infância ou digamos assim a “inocência perdida”, concordo com você em gênero, número e grau… Minha infância foi completamente diferente e hoje percebo que o que mais queríamos, que era apenas ser criança e curtir essa fase, as crianças de hoje não querem, elas querem ser adultas e perdem toda essa pureza e inocência que um dia também tivemos…
Triste, mas é a realidade!
Grande abraço
Onde eu assino?
Concordo plenamente, as crianças não são mais as mesmas, mas nós adultos também não somos. Não temos mais a figura da mãe protetora, acolhedora e certinha. Os tempos mudaram. Infelizmente, as consequencias negativas estão aí. Beijos!
Os pais não estão capacitados para educar. Tudo é permitido para a criança não encher o saco. Deixam a criança sozinha com tv e computadores, um verdadeiro cala a boca. As crianças são curiosas e vão procurar por aquilo que lhes são proibidos. Daí digo que não deve haver proibição e sim diálogo, esclarecimento sobre o que é bom ou ruim. Mas e se nem os pais sabem, para quê tê-los?
Amanhã terá uma blogagem coletiva “Contra a pedofilia, em defesa da inocência”
Neste dia é comemorado o Dia da Amizade e o Dia Internacional do Amor. E porque não juntar esses dois ingredientes e dedicá-los às nossas crianças?
Muito se fala no futuro e este não existirá, se não o construirmos agora. Temos que preservar as crianças de todo tipo de violência e a pedofilia, crime bárbaro, acontece muitas vezes onde não é para acontecer; dentro do seio da família.
Temos muito o que falar e combater sobre este assunto. Como tenho dito, o maior dos crimes ainda é matar a inocência.
http://img176.imageshack.us/img176/4600/pedofilia2dyru6.gif
Gostaria de contar com sua participação!
Quem já confirmou: http://luzdeluma.blogspot.com/2008/01/pedofilia-ertica-voc-concorda.html
Agradecida,
Luma
Pois é…
Como as coisas andam, certamente esses de agora se orgulharão no futuro…
Grande abraço.
Fabio,
Você tem razão. Uma das mudanças, pelo menos nas cidades grandes, é que não dá mais para brincar na rua como eu fiz na minha infância. Os pais hoje trabalham muito mais e as crianças vão para a escola mais cedo. Pra completar, as crianças têm milhares de atividades: inglês, natação, judô, futebol, balé, etc. etc. Quase não dá mais tempo de brincar!
Beijos,
Rosana
Fabio, guri…
Faz tempo que não passo por aqui… Preguiça horrível de ficar no computador, férias do meu filhote e péssima organização do meu tempo…
Sabe, vejo no meu filho ora uma inocência absurda, ora uma maturidade de meter medo… Os tempos são outros, as crianças também…
Caramba! Quanto tempo! O que tá acontecendo?
Boa vcs foram fundo e isso ai infelismente hj em dia nao se tem mais uma infancia pura onde nossos filhos possa brinca e se diverti e uma realidade cruel ve que a nossa sociedade nao faz nada pra muda esta situaçao mais dez de ja estamos aqui e se tiver que começa por nos entao nao esperamos por niguem vamos aregaça as mangas e muda esta situaçao e aproveitando tem um site onde nos adultos de hj podemos volta anossa infancia e tb mostra pras crianças de hj como era anossa infancia http://www.kids80.com.br e um projeto que resgata a infancia dos anos 80 e 90 forte abraço atodos Deus abençoe!!!
Era uma vez um desejo que permanecia eternamente encantado dentro da gente…e num canto encantado qualquer dos quintais, das calçadas, das sombras das árvores, éramos felizes e não nos dávamos conta, e nem podíamos, as coisas encantadas não se podem ver. Assim o texto me fez retornar a tempos idos nos quais éramos verdadeiramente “as criancinhas que íamos a Jesus…”. Éramos mágicos dos maiores desejos, dos sonhos mais coloridos, das graças mais engraçadas, das artimanhas escondidas…no “reino mágico de ser criança!”. Num pedaço deste mundo de “A a Z”, éramos senhores absolutos de criações infantís que na ludicidade de nossos sonhos nos faziam realmente felizes. Com uma liga de amarrar dinheiro, um carretel de linha, um pedaço de vela e um palito de fósforos…fazíamos um tratozinho que se dava corda e ele ia andando, subindo montes de areia, descendo, caindo, e como os mais modernos brinquedos cibernéticos da contemporaneidade…se “levantava sozinho”, aquele palito de fósforo-manivela dava uma voltinha…e o caminhar infantil recomeçava…e nos nossos sonhos, desvaneio… era uma roda de meninos e meninas sentados ao chão, sob um luar de estrelas amigas…e no espanto irmão do canto…vinha um anel misterioso (no mundo infantil tudo é mistério…se não for mistério não é real!), e passava de mentirinha por sobre as mãos e entre dedos, e nesse passar, ficava um pedaço de uma pedra preciosa que se lapídava na nossa imaginação…para nascer na mão vizinha…prontinha para tudo recomeçar. No mundo infantil, as coisas não tem fim…são eternas. E tudo isso, como um bolo de saudade…quero tirar um pedaço…e como, no mesmo encanto, reparto com todos que ousam serem crianças no relembrar.
Bom, segundo Vygotsky a criança leva consigo uma bagagem de conhecimentos, adquirida em suas experências vividas no contexto ao qual está inserida. Assim, sendo penso que nas brincadeiras a criança reflete essa “bagagem”, que hoje em dia sem o acompanhamento responsável dos pais (muitas vezes por falta de tempo) são essas as quais seu texto se refere. Triste né! Mas, a sociedade de uma forma geral precisa se conscientizar da influência que a mídia traz para a infância, e poupá-las do que não é apropriado.
Toda criança tem direito à dignidade e ao respeito.
Pena que os próprios pais não sabem disso, ou fingem não saber!!! Muitos são os primeiros a privarem seus filhos de ser “criança”, com atitudes nojentas como a pedofilia.
Para finalizar prefiro acreditar na negativa desta frase: “Ser criança não significa ter infância” inspirado na obra de arte: William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) – A Calling (1896).
Sem mais,Tchau.
cara gostei muito do seu texto, tanto que vo usar umas partes para montar um artigo pra minha professora…
Fábio,
Vc está coberto de razão quando diz que acabaram com a moral e os bons costumes. A pouca vergonha é tanta que as crianças já nascem pensando que é tudo normal. Eu também pertenço a uma geração da antiga e sei o quão importante foi a nossa criação, voltada ao respeito, onde a moral e a descência falavam mais alto.
Parabéns
Magali
Ola sou nova por aqui, mas achei muito interessante seu artigo e como já foi dito por varias pessoas assino em baixo.
Eu sou defensora convicta que lugar de criança é se divertindo com outras crianças, brincando de pega-pega, esconde-esconde tudo isso estimula a socialização, mas não a faz ser adulta, pois a infancia é tão curta e deve ser aproveitada ao maximo possivel.
Acredito ser possível criar os filhos em um ambiente saudável. Basta que para isso sirvamos de exemplo, além de ensinar desde cedo o que é certo e o que é errado em termos morais.
E afirmo que por ter 12 anos [..]
E conhecer muitos adolescentes e pais
dos mesmos existem pais que não se comportam devidamente na frente dos filhos por isso eles podem também estar cometendo os atos absurdos que por eles são realizados !
Boa noite!!
Não costumo fazer comentários, porém devido ao Fabio ser um grande Amigo meu, resolvi deixar minha opinião..
Nem vou perder tempo falando de sua capacidade pois isso quem lê seus artigos já pode perceber..
Lendo esse post, acabei lembrando de uma situação que mostra bem isso, fui num aniversário de 5 anos no qual minha filha de 3 anos havia sido convidada, estávamos todos lá cheio de crianças, até que colocam um dvd da xuxa e a sala fica vazia, achei estranho mas tudo bem. Até que daqui a pouco colocam um cd de funk e pronto a sala encheu.. Ai fiquei pensando o que tá acontecendo com a infância de nossas crianças, o que ouve com os baixinhos da Xuxa, onde foi parar aquela inocência de cantar ilariê, fazer duas chiquinhas no cabelo, enfim fiquei muito impressionado, pois estou criando uma filha, e to fazendo de tudo pra que ela não pule etapas e faça tudo na sua devida fase..
Um abraço Fabinho tudo de bom..
[...] o foco do Post do Fabio(http://www.centenaro.org/fabio/a-infancia-perdida)Â escrevi essa [...]
ESTOU FAZENDO UMA PESQUISA SOBRE CRIANÇA,E GOSTEI MUITO DO QUE ESCREVEU,PODESSE DIZER QUE OS TEMPOS MUDARM.
Olá Fábio, ótimo texto para refletir.
Aproveito a oportunidade para divulgar minha página sobre brinquedos antigos. Acredito que haja uma relação direta entre os comentários do autor do texto e o conteúdo de meu blog.
O blog Meus Brinquedos Antigos fica no endereço http://meusbrinquedosantigos.blogspot.com/.
Obrigado.
Abs,
Alfredo.