É curioso como podemos tirar lições em qualquer lugar. Onde menos esperamos aprender alguma coisa, eis que aparece uma lição a ser tirada. E tudo começou num campeonato de basquete …

Pois bem, no último final de semana participei de um torneio de basquete na praça perto da minha casa. Por algum motivo, só tinham times (na verdade eram trios) de garotos menores de 18 anos. O único time adulto era o meu. O meu trio, formado por mim, com 25 anos. Os outros dois têm, respectivamente, 29 e 30 anos. Por falta de adversários, acabamos jogando com os menores, mais para diversão do que qualquer outra coisa. Como a maioria dos garotos eram conhecidos, eles não se opuseram a jogar conosco. Mesmo que tivessem uma desvantagem grande, afinal, eles têm a juventudo e nós temos a experiência (é, isso mostra como estou ficando velho).

Tá, mas e o que isso tem a ver com adversidades? Tudo!

Foi interessante notar a reação de cada um dos meninos enquanto jogavam contra o nosso time. Alguns se acanhavam e ficavam amedrontados, outros encaravam de igual para igual e, alguns, queriam mostrar que eram melhores que nós.

O caso é que passamos por muitas situações na vida em que somos nós que estamos do outro lado, lutando contra situações novas, que nos põem medo ou nos deixam com receio, ou contra pessoas mais qualificadas e experientes. E a maneira que encaramos todas essas situações é muito parecida com as atitudes que os garotos tiveram perante nós.

Aqueles que jogaram com medo perderam fácil. Tentaram inventar, fazer coisas que não sabiam mas que viam como única alternativa de conseguir alguma coisa. Em outras palavras, se desesperaram. E no desespero, nada dá certo. E na vida, ocorre da mesma maneira. Se ficarmos desesperados, sem planejar uma tática possível de ser realizada, com certeza iremos sucumbir. Mesmo estando em desvantagem, com passos previamente estudados e planejados, existe uma chance de alcançarmos os objetivos. Não podemos é nos atirar de qualquer jeito. O resultado já se sabe qual é.

Os outros garotos que nos enfrentaram tentando mostrar que eram melhores que nós, apesar de termos ficados admirados com a coragem deles, foram os que perderam por maior diferença. Era sabido que eram inferiores, mas tentaram fazer mais do que podiam. O resultado é que as tentativas, na maioria, deram errado. Acertaram uma ou outra. Mas a derrota foi maior. Só não foi maior ainda porque nós, admirados com a coragem desses meninos, pegamos leve com eles. Isso mostra que tentar enfrentar algo querendo mostrar-se melhor do que se realmente é pode não ser uma boa idéia. O tombo pode ser maior. E às vezes falta um pouco de humildade também.

Restou um último grupo, daqueles que respeitaram e tentaram jogar da maneira que sempre jogaram, sem arriscar demais mas também não deixando de jogar. Esses foram os que chegaram mais perto de vencer. Deram algum trabalho, fizeram-nos correr mais do que o normal. Tivemos que realmente nos esforçar para ganhar deles.

Eu sei que essa história toda de basquete pode parecer chata, mas pegando esses exemplos e aplicando na vida real, podemos ver que a maneira como encaramos os nossos problemas é exatamente igual à maneira que esses meninos encararam esse torneio. Nós podemos nos amedrontar e já entrar derrotados em uma luta. Ou podemos desprezar as dificuldades e termos muitas surpresas logo ali adiante. Ou então podemos ter respeito, porém sem deixar de acreditar que o problema pode ser encarado e superado. Nem sempre conseguimos vencer, mas se não der na primeira, na segunda ou na terceira iremos conseguir.

Devo admitir que esses meninos foram de grande ensinamento para mim. Vê-los correndo e se esforçando diante de um adversário superior e, principalmente, vendo a reação de cada um diante disso, me ensinou muitas coisas que vou usar na minha vida. Estive, mesmo que por uma tarde, do outro lado. Do lado a ser batido. E aprendi como agir quando estiver em desvantagem. Aprendi, inclusive, que eles podem ser batidos. Basta encarar de frente, com prudência, respeito, mas principalmente, confiança.

Não interessa se temos 15, 20, 30 ou 50 anos, a maneira como encaramos problemas e dificuldades é a mesma. E o resultado está diretamente ligado a como enfrentamos cada situação. Depende só de nós. Podem ter certeza disso.

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Comentários

  1. 1
    Cyn Cardoso
    September 4th, 2007 at 6:25

    Darling, aprender é crescer. E isso é muito bom. Perceber que se esta amadurecendo é liberador. O problema é que tem muita gente que passa pela vida sem aprender absolutamente nada. Nao cresce, nao amadurece, e isso nao significar ter o espirito jovem.

    O melhor mermo é amadurecer e ao mesmo tempo manter a criança interior. Conhecimento é tudo. E eu nao troco os meus 27 anos pelos 18 anos de ninguém. (xii revelei minha idade hahah)
    beijos!

  2. 2
    Erika
    September 4th, 2007 at 8:19

    As coisas mais simples da vida são as que, muitas vezes, trazem as maiores lições.
    Várias vezes já lí sobre o esporte ensinar valores como respeito, amizade, confiança. Valores que muitas vezes andam tão esquecidos, principalmente pelos jovens de hoje.

    A correria da vida nos leva a esquecer muitos deles, os valores.

    O que a Cyn disse ali eu assino embaixo> “Melhor mesmo é amadurecer e ao mesmo tempo manter a criança interior”.

    Beijo e ótimo dia prá vc.

  3. 3
    Renato Gaud?o
    September 4th, 2007 at 11:34

    Pois é, rapaz, daqui a 30 anos eles vão tirar a revanche……já com o aprendizado do teu texto :)

  4. 4
    Sergio Grigoletto
    September 4th, 2007 at 11:48

    Fábio!

    Lembra-se quando eu mencionei algo sobre fundamentos? A inspiração, é o básico. Retirar assim rapidamente, uma crônica de movimentos cotidianos, é que faz o escritor.
    Sua narrativa esta cada vez melhor. É uma narrativa “blogueira”, sem dúvida, mas os caracteres bloguísticos poderiam ser facilmente removidos e transformar essa crônica para um outro veículo, como um jornal ou revista.
    Tem lido? Se não, leia pelo menos um bom livro por semestre.

    Abs

    Sérgio

  5. 5
    Ad?Braga
    September 4th, 2007 at 14:48

    Quando estava arrumando minhas tralhas para sair do colégio interno, e abandonar de vez o curso de teologia, um amigo, veio e me abraçou. Os olhos dele merejavam, e ele me questionou sobre o porque que eu estava indo embora, e estava desistindo de tudo. Respondi-o como sempre respondi quando varavamos as noites de sábado a noite, e dos feriados jogando WAR:

    - Um general deve saber a hora de atacar, de retirar, de fingir, falar a verdade, de mentir, e de partir para cima. Neste momento, devo baixar a guarda e retirar. Eu continuarei minha vida. Ela não acaba aqui.

    Nem sempre vencemos, mas podemos aprender sempre. Desta experiência, aprendir a ser autosuficiente, aprendir a dúvidar, e aprendir a confiar em mim, nas minhas capacidades, e conheci minhas limitações, bem como, os limites invisiveis dos conceitos morais, éticos e espirituais.

    Vamos morrer sem saber de tudo, mas certamente, morreremos aprendendo algo mais!

  6. 6
    Mila
    September 4th, 2007 at 17:38

    É Fabio…
    Desta vez vc era o problema a ser resolvido… o que te deu uma otica muito diferente de como encara-lo… A questão é quando estamos diante dos problemas e temos que escolher o melhor caminho pra vencer o obstaculo. De qq maneira o texto é sensacional, até pq vc poderia ter cantado vitoria como maioral, e não ter aprendido nada.
    Parabens e sucesso sempre!!!!
    Beijos Mila

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