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É comum ao ser humano se acostumar. Muitas vezes nos acostumamos a algumas situações e permanecemos lá, estagnados, parados, inertes. Por muitas vezes ficamos vivendo situações que não nos são favoráveis, que não fazem ( ou não estão trazendo ) benefício algum para a nossa vida. Mas por sermos humanos, acabamos aceitando e nos acostumando com a idéia.
Em muitos casos sabemos o que estamos fazendo, sabemos o que está acontecendo, mas não conseguimos mudar o nosso rumo. Isso porque humanos sentem medo. E é esse medo que nos priva das mudanças. Não saber o que vai acontecer é terrivelmente assustador. Não saber quais as conseqüências virão dos nossos atos nos metem um medo incontrolável. É natural temermos o desconhecido. Por outro lado, você já assistiu a reprise de uma novela, assistiu ao “teipe” de um jogo de futebol que já havia visto ao vivo, já viu um filme duas ou três vezes? Como é sem graça assistir a alguma coisa que já vimos e conhecemos o final, não é mesmo?
Se conhecessemos o que vai acontecer, não teria sentido viver, não teríamos méritos algum, nossas conquistas seriam vazias.
Por isso, de tempos em tempos, a própria vida decide nos tirar da posição estacionária. Ela quer que a gente cresça, evolua. Assim, ela envia alguns furacões, que entram na nossas vida, causam destruição, medo, agonia. Devastam com todo o nosso ser. Nos tiram do conforto, destelham o nosso abrigo, inundam nosso esconderijo e nos deixam sem nada. Sem nada ? ainda possuímos a nossa vida, a nossa força e a nossa fé.
Esses furacões podem aparecer de diversas formas: uma demissão, um acidente, a perda de uma pessoa, um fora da namorada, um “ não “ de um amigo, uma gravidez inesperada, a conhecer uma pessoa que faz o mundo virar de cabeça para baixo, achar um cachorrinho ( ou um gato ) e lavar para casa.
A vida tem várias maneiras de nos fazer andar. Por vezes é a base do sofrimento, outras por uma alegria. Mas o sofrimento é apenas momentâneo, a vida tem o incrível dom de arrumar as coisas com um simples estalar de dedos. Quando tudo parece perdido, quando nos achamos no fundo do poço, perdidos, desamparados, quase sem esperança, eis que surge a Dona Vida comum presente. E vamos da dor à alegria. O céu volta a ficar azul, o sol começa a brilhar, vemos que os estragos não foram irreparáveis, não eram tão grandes como supúnhamos e que a reconstrução é possível.
Começamos assim a construir um nova casa, só que dessa vez, a casa vai ser mais forte, mais resistente, e ainda por cima, a casa será maior, mais bonita e mais aconchegante.
Essa é a função dos furacões. Fazer com que a gente saia de uma casa velha e empoeirada para construir uma nova e maior.
Por isso, lhes digo em verdade, por mais difícil que um momento possa parecer, por maior o medo que possa sentir, quão difícil seja tomar uma decisão, mesmo que se sintam desprotegidos, desesperançosos, Deus não lhes esqueceu. Ele está, sim, trabalhando para o nosso bem. Aceitem as dificuldades que lhes são apresentados, encarem os problemas. Não se sintam pequenos e esquecidos. A vida tem um jeito engraçado de nos ajudar. E, mantendo a calma, quando o furacão passar, e o sol se abrir, vamos ver que a vida está muito mais bela e mais alegre. Vamos, ainda, dar graças à Deus por ter colocado aquele furacão no nosso caminho, pois sem ele ainda estaríamos naquela casa velha.
Irmãos, não temeis. Deus está convosco, ele lhe protegerá, como os filhos amados que sois. Tenham força, pois o futuro será de glória e amor. E que assim seja.
Horácio
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