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Pense fora da caixa

Indo para casa, em pé em um ônibus lotado, sou obrigado a ouvir a seguinte conversa:

- “Bah, meu, fui comprar uns ‘negócio’ lá no Mercado e o cara me deu o troco errado. Era para ter dados uns 13 ‘real’, mas o guri só me cobrou 10. Me dei bem”. Algumas risadas se seguiram.

Pelo linguajar um pouco rústico, notei que ambos que conversavam vinham de famílias humildes, de poucas posses. E realmente, esses três “real” que ele ganhou poderiam fazer uma grande diferença. Quem já contou as moedinhas para ir à padaria comprar pão sabe bem como é isso: três reais é quase uma fortuna. Fiquei imaginando que com esse dinheiro, ele poderia comprar pão, leite e mais algumas coisinhas e ter como alimentar melhor (se é que é possível se alimentar melhor com três reais) a família. Ou então guardar o dinheiro nas economias da família a fim de adquirir alguma coisa de valor para eles.

Tudo muito bonito, muito lindo, até que o abonado me sai com essa:
- “Mas bah! Vou passar ali no ‘buteco’ da esquina e comprar um galão de vinho. E a mulher que não me encha o saco”. Me caiu os butiá do bolso.

Dei toda essa volta – e me utilizando do exemplo acima – para mostrar como muitas vezes possuímos alguns recursos e os usamos de forma inadequada. E não falo somente de dinheiro. Existem muitas pessoas com uma inteligência fora-de-série e não fazem uso dela. Outros têm aptidões para uma ou outra área, e ao invés de se aprofundarem e se desenvolver, ficam estagnados no mesmo lugar por muito tempo.

Mais um caso: até pouco tempo, uma pessoa da minha família estava desempregada, passando os dias em casa. A criatura até estava atrás de emprego, mas sabemos como é emprego no Brasil: mais raro que diamante. E enquanto o emprego não vinha, ela não fazia nada. Para isso eu dei uma sugestão: ela havia feito um curso de astrologia, e nesse curso, aprendeu a fazer mapa astral. Pronto! Enquanto não vier um emprego, vai ganhando uns troquinhos fazendo mapa astral. Dá pra fazer até pela internet mesmo. Podemos até montar programa que gere o mapa automaticamente, dá um certo trabalho, mas no fim vale a pena. Sabe qual foi a resposta?

- “Não quero”.

Pois é. Fazer o quê, então? E não é só ela, já me deparei com vários casos de pessoas com capacidade e ferramentas na mão e que não quiseram fazer uso delas. E ainda por cima reclamam da mesmice da vida. O Rodrigo publicou uma frase no Empório do Sucesso que diz assim:

“Um pessimista vê dificuldade em toda oportunidade; um otimista vê oportunidades em toda dificuldade. ” (Winston Churchill)

Aquele que realmente quer fazer alguma coisa enxerga oportunidade em todas as situações. E vai em busca do que quer. Não fica simplesmente reclamando da vida. Bota a cara a tapa e vai à luta. Já vi gente ganhando a vida fazendo panos de prato e desenhos em caixas de papelão para festas.

Acho que falta as pessoas pensarem um pouco outside the box (“fora da caixa”, sem tradução melhor para o português). Pensar em maneiras alternativas de se ganhar a vida, e de viver a vida. Deixar de seguir padrões pré-estabelecidos e criar o seu próprio modo de vida. Por mais que a sociedade possa julgar como errado, não é ela que paga as nossas contas, então, somos nós que escolhemos como iremos botar comida para dentro de casa.

Pessoas com aptidões e habilidades em qualquer ramo têm nas mãos uma excelente oportunidade de ter uma vida melhor. Basta ter coragem. Basta querer.

11 comentários to “Pense fora da caixa”

  1. Erika says:

    Conheço uma pessoa, não, duas, exatemente assim. Uma é um cunhado, que acha que o dinheiro vai cair do céu, mas não se digna a ganhar 300 reais, tem que ser 3000, senão não tá bom.
    Outra é uma amiga, que ficou 4 anos desempregada, mas não aceitava tbm 300 reais, tinha que ser 3000, mas tbm não abria mão de morar pagando aluguel de 2000, enfim…

    É como vc disse, kd o bom senso? a humildade.

    Eu sempre digo, melhor trabalhar ganhando 300, que não trabalhar.

    Mas quem tem o reino inteiro na barriga não consegue se enxergar plebeu.

    Beijo. Ótima quinta

  2. Palmas pra ti, Fabio….
    Lembrei-me agora de um rapaz que conheci na faculdade.
    Ele vendia doces no trem para pagar as mensalidades.
    Hoje ele é professor de Biologia do Estado.
    Diz ele que ganhava mais vendendo doces ne…rsrsrs
    Bjussssssssss

  3. Rafael says:

    Valew pelo eu coment

  4. Paty says:

    É querido realmente quando a pessoa quer ela ganha a vida de qualquer jeito com honestidade, mas como tu mesmo falaste tem que ter coragem e deixar de lado os padrões pré estabelecidos da sociedade e ir a luta porque de braços cruzados não se vai a lugar nenhum…o orgulho muitas vezes é o grande inimigo do nosso sucesso, por isso a humildade tem que estar em primeiro lugar em tudo, beijosss….

  5. Adão Braga says:

    Olá Fábio:

    No último domingo meu pai me ligou e quis saber o que eu estava fazendo para manter a família.

    - Estou autonomo, pai!
    - Eh!! Meu filho e tá dando certo?
    - Tá dando pra pagar as contas e fazer compras.
    - Ganha mais ou menos do que quando tinha carteira assinada?
    - Mesma coisa!
    - Não deixa de pagar previdencia, não, e siga em frente, eu não criei você e seus outros irmãos trabalhando assim?

    Eu não tenho estas dificuldades de conseguir o vil metal, porque já estou assim há muito tempo… mas há pessoas que preferem ficar sem fazer nada, porque pensam mesmo que só sabem ser empregados, até a dificuldade e a falta de um novo emprego os obrigar a resolver a situação.

  6. Cyn Cardoso says:

    Fofo, quanta gente pedindo dinheiro na rua que vc ve que é forte e cheia de saude mas se faz de coitada? Pior ainda aquelas que fazem filho com o unico e exclusivo objetivo de usa-los para pedir dinheiro?
    Se vc perguntar pra essas pessoas “quer trabalhar pra mim fazedno faxina?” ou “Quer fazer uns ajustes na minha casa?” elas respondem que nao.
    Lindinho, é mais comodo pedir dinheiro na rua. E pior que eles tiram ma boa grana por dia. E isso rola aqui na Italia tbm.

    Beijos

  7. *Lusinha* says:

    Falta um pouco de atividade, de força de vontade, de ir fazer…
    Eu conheço gente que ganha a vida com trabalhos simples e de uma forma honesta…
    E quanto a essa coisa de ter se dado bem com o dinheiro que veio mais, eu não faço isso. Não é puritanismo não, é porque acho muito errado mesmo.
    Bjitos!

  8. G says:

    Excelente post.
    Isso acontece em todo o lado com imensas pessoas…
    Um abraço!

  9. Adão Braga says:

    Eu voltei para comentar porque este aqui tem muito em comum com o seu post, e envolve não R$ 3,00 mas R$ 5,00

    Eu fui receber o dinheiro do serviço feito numa impressora, e eu não tinha troco para R$ 50,00.

    Neste caso, eu não iria voltar para receber apenas esta diferença, e não havia lugar algum onde se pudesse trocar a nota, então, devolvi 10,00 e disse a mulher que estava bem assim.

    Ela, a senhora que era a empregada, queria que eu voltasse para receber, e eu disse-lhe que ela poderia trocar a nota de 10,00 e devolver os 5,00 para a patroa, e ela me disse que não, que ela jamais iria pegar algo de alguém, e eu tive que ficar ali, mais uns 5 minutos explicando, que o dinheiro não pertencia a patroa dela, e que não havia nem erro ela ficar com aquele dinheiro, e ontem e me encontrou na rua e toda feliz disse que tinha ficado com o dinheiro, e que havia comprado carne para comer no sábado…

    Alguns fazem bom uso, outros não!!

  10. Mohamed says:

    Parabéns pela argumentação Fabio…em algumas situações como essa que você presenciou está presente em muitos cantos do nosso país..e pessoas com maior conhecimento e visão do cotidiano consegue perceber a importância de investir bem as economia do presente. Quanto a questão de oportunidades, é uma pena que nem todos pensam da mesma forma. Posso garantir que os cursos mais simples disponibilizado pela prefeitura, cursos básicos oferecidos por universidades e escolas podem fazer um grande diferente na vida de quem está começando e com certeza a soma de todos trará essa visão que fará com que o indivíduo tenha mais progresso e consequentemente ao nosso país.
    Abraço!

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