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É normal - e até esperado - que quando contratamos um serviço que ele atenda as nossas expectativas. Quando contratamos alguém para pintar uma parede ou construir uma peça, esperamos que o serviço seja feito de forma adequada, dentro daquilo que queremos. Porém, nem sempre as coisas saem como imaginamos e o resultado ou não é aquele esperado ou o serviço demora mais tempo que o programado.

Situações como essas são absolutamente normais se levarmos em conta que estamos lidando com pessoas. Ao contratar um pedreiro, corremos o risco que o rapaz ficar doente e não ter condições de trabalhar. Assim, a obra não ficará pronta no prazo estimado. Ou alguma outra situação pode ocorrer impossibilitando o bom andamento do serviço.

Já há algum tempo venho trabalhando com prestação de serviços de informática. Vou falar do ramo que eu conheço, mas imagino que o mesmo aconteça por todo lado: em muitas vezes, quando aparece um imprevisto, a primeira coisa que o cliente fala é “estou pagando e quero o serviço pronto”. Se estamos falando de empresas grandes como o Terra ou a Vivo (foram as que me vieram à cabeça no momento mas vale para qualquer outra empresa grande) é até compreensível esperar que funcione assim. Mas em se tratando de empresas pequenas a história pode ser um pouco diferente. Mas mesmo assim vou generalizar e falar de todos como um só. Sei que existe uma grande diferença, mas ela não é tão relevante aqui.

Trocando em miúdos, o que quero dizer é que não é o fato de pagar por um serviço o cliente estará pagando por um escravo. Imprevistos acontecem, pessoas adoecem, problemas surgem e tudo isso influencia, e muito, na realização de qualquer serviço. E o fato de estar pagando não quer dizer que se tenha poder sobre a pessoa. Pagar por um serviço não é alugar temporariamente uma pessoa, mas sim os serviços dela.

Não quero dizer com isso que devemos aceitar irresponsabilidade de todo lado, mas sim pensar com um pouco de humanidade e entender que do outro lado existe uma pessoa e com ela acontece as mesmas coisas que acontecem conosco e o fato de estarmos pagando para que ela nos preste um serviço não vai fazer com que a vida dela seja feliz e perfeita e não aconteça problema algum.

Devemos, sim, cobrar se o serviço for mal feito por falta de capacidade, como uma parede mal pintada, ou no meu caso, um programa que não funcione. Agora, se o problema não for necessariamente ligado ao prestador, há que se ter um pouco de paciência, e mais que isso, consciência. Cito aqui dois exemplos que me aconteceram há pouco tempo:

Há três semanas comprei alguns livros no Submarino e só me foram entregues nesta semana. A demora foi de quase 15 dias. Me foi informado que havia uma greve nos correios em algum lugar e por isso a entrega chegou com bastante atraso. Bem, nesse caso, não posso culpar o Submarino pela demora, mas poderia, afinal, estou pagando.

Outro fato que se sucedeu foi uma queda no servidor do blog. O blog ficou indisponível por algumas horas durante dois dias. O blog é hospedado na PortoFacil, do meu amigo Janio , e logo que ocorreu o problema, o Janio me informou que a máquina teria que ser trocada e outros procedimentos feitos. Eu poderia cobrar do Janio que queria meu site no ar. Mas entendi que estava fora da alçada dele, tendo em vista que o servidor não fica na casa dele e que para trocar uma máquina se leva tempo. Além de, é claro, saber que ele varou duas noites para colocar tudo no ar. Eu poderia reclamar, afinal, estou pagando, mas entendi a situação. Ele fez o melhor que pôde, tenho certeza disso.

Citei apenas dois exemplos onde eu fui o cliente, mas poderia citar mais de cem casos onde eu era o prestador e por motivos alheios à minha vontade um serviço ou produto demorou para ser entregue ou realizado e por conta disso passei por situações bem desagradáveis. Quando isso acontece, nos sentimos como a pior das critaturas, como se fôssemos escravos, nos sentimos impotentes simplesmente por precisar do dinheiro e ter que aceitar pessoas pisando em nós e termos que ficar quietos porque precisamos mais do cliente do que ele de nós. O Adão, que também trabalha com informática, pode confirmar tudo isso. Ou mesmo o Janio. E qualquer prestador de serviço.

Resolvi escrever este artigo para tentar mostrar um pouco dos dois lados da moeda. O lado do cliente e o lado do prestador. Espero que possamos todos sermos melhores clientes e melhores prestadores, sempre priorizando a humanidade e o respeito às pessoas e não pisar ou achar que somos melhores apenas por sermos os donos do dinheiro. Pagamos por um serviço, e não pelas pessoas. E não é porque pagamos que podemos destratar ou faltar com o respeito. Não, isso nunca. Somos todos seres humanos, antes de qualquer coisa. Com ou sem dinheiro.

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Comentários

  1. 1
    Beth
    September 28th, 2007 at 9:07

    Sabe que me considero uma cliente super tranquila. E jamais recorri ao judiciário, ou a pressões e bate bocas desnecessários via telefone. Serviços podem ser contratados e desfeitos a qualquer hora, mesmo que haja um perda significativa de valores. Mas bom seria que todos percebessem que problemas existem em qualquer setor de nossas vidas e em muitas tarefas a execução dos mesmos dependente de um ser humano que está fazendo o maior esforço para concretizar e entregar em tempo hábil.

    Belo post.
    Amei

  2. 2
    Erika
    September 29th, 2007 at 12:09

    Minha nossa, menino, já tava morrida de saudade de te ler, uai. rs

    Agora entendi o porquê do sumiço.

    Eu até concordo com vc que prestadores que têm consciência são gente, sabe, Fábio, meu querido.
    Mas o que eu não concordo é que todos os prestadores de serviço tenham consciência.. claro que é minoria, claro sim, mas tem uns que são doloridos, sabe?

    Eu, por exemplo, to com meu template bloqueado faz mais de mês por causa de invasões nos outros blogs hospedados no mesmo servidor que o meu.
    Cara, o cara bloqueou tudo, porque dois ou 3 blogs foram invadidos.
    Tudo bem, é gente amiga conhecida, tbm não quero que tenham problemas, mas ficar mais de mês em poder mexer no meu template é fróids, concorda?

    Essas coisas mirritam profundamente, sabe?
    Ao ponto de eu já pensar em trocar de servidor.. enfim…

    Mas, eu ainda concordo com vc que prestador é gente.. e sente.. e é consciencioso.

    Beijossss

  3. 3
    Fabio Centenaro
    September 29th, 2007 at 13:25

    Beth,
    Tu falou tudo. Bom seria se todo mundo tivesse essa consciência também. Infelizmente, sei bem, não é assim que funciona. Mas ainda existem alguns poucos e bons.
    Grande beijo!

    Erika,
    Bah, fiquei longe por uma mistura de trabalho, problemas, falta de tempo e de inspiração. Junta tudo e dá nisso! ;) Concordo que um mês com o problema sem ser resolvido é um pouco demais. Nesse caso, não tiro a tua razão. Mas te digo que já sofri muitos “ataques” de clientes por ficar muito menos tempo - e nem dependia de mim. Mas, enfim, são ossos do ofício. :( Beijão!

  4. 4
    Paty
    September 29th, 2007 at 19:46

    Oi querido
    Concordo com a Érika em que tbm estava com saudades de ler teus artigos, aliás as vezes te cobro…Mas sobre o post, vira e mexe a gente passa por situações desagradáveis dos dois lados, eu sou cobrada pela agilidade dos processos no hospital, porque a demora de exames, porque os médicos não veêm, nossos clientes exigem agilidade no atendimento porque estão pagando, infelismente muitas pessoas agem com total falta de humanismo, e essa tua visão mais uma vez reforça teu caracter humanitário, é meu querido vivemos num mundo de competições e capitalismo barato, mas é isso aí, ter a compreenção que prestadores são gente e que assim como estamos desse lado estamos do outro tbm e certamente agiremos de forma diferenciada, humanitária, é o que faz a diferença, adorei o post, beijosss, te cuida meu amigo…

  5. 5
    wolverine logan
    September 30th, 2007 at 9:22

    Tem meu apoio também e uma indicação de selo prêmio lá no blog.
    Um abraço.

  6. 6
    Ad?Braga
    September 30th, 2007 at 23:11

    Me deste credibilidade ao fazer uma citação a mim. Você já é crível por si. E isso é verdade! Prestadores de serviços estão ai neste limite. Nesta linha tênue da satisfação e da insatisfação.

    Você nem citou casos onde o prestador não deseja atender o cliente, mas, sei que você também tem desses casos.

    Eu não conheço os serviços do Jânio, mas, pelo pessoal que hospeda com ele, por exemplo, a Lu, do Dia de Folga, encheu a bola do Jânio e da Porto Fácil no textoMar de tranquilidade na Porto Fácil e tem uma grande galera que hospeda com ele, é improvável que esse Jãnio e os serviços dele sejam tão ruins e sejam tão utilizados.

    Eu entendo isso. Enfrento tais situações. E como seria bom encontrar do outro lado pessoa que não só pensasse no dinheiro que nos paga, mas no humano que somos.

    Tem um advogado aqui em Irecê, que eu não o atendo, nem pra liberar minha mãe de cadeia. Sou rancoroso neste ponto.

    Não atendo. Não atendo e não atendo! Pelo simples fato, dele ter achado que o valor do serviço era caro ter me dito:

    - Esse pessoal que presta serviço só chega na hora da fome.

    Depois disso, ele já me chamou 3 vezes no escritório dele, porém, sempre neguei, e já fui bem claro:

    - Eu não faço nenhum serviço pra você, e pra nenhuma pessoa de sua família.

    E tenho dito.

    Grato pela citação e lembrança!!!

  7. 7
    Fabio Centenaro
    October 1st, 2007 at 9:46

    Adão,
    O trabalho do Janio é muito bom, e eu assino embaixo. Existem alguns clientes que é preferível não atender, normalmente por querer um serviço mais que excelente sem querer pagar um preço justo.
    Acho que foi tu mesmo que escreveu: prostituição não!
    Grande abraço!

  8. 8
    Renato Gaud?o
    October 2nd, 2007 at 9:39

    Passo pelo mesmo problema que tu citaste e que os prestadores citaram nos seus comentários…….O pessoal deprecia aula particular……Acha que estamos lá de favor, que qualquer um pode fazer nosso serviço, reclamam do preço o tempo todo e nos taxam de mal profissionais, não nos indicando………As vezes eles vão mal nas provas, mas claro, te chamam no dia anterior e eles não sabem nem somar as vezes………como esperar fazer uma prova de nível mais avançado??? Aula particular é como terapia, tem que separar um valor por mês……..a menos que o cara queira se formar mediocremente…….

    Mas por outro lado construção é complicado, como são pagos por hora, algumas cias trabalham propositalmente em marcha-lenta. Meu ex-instrutor de TKD para reformar a academia tinha que trabalhar tanto quanto os pedreiros……..e ele tava pagando o serviço, pode???

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