Tenho acompanhado uma série de fatos envolvendo algumas pessoas próximas e a maneira como as coisas vão acontecendo me chateia bastante. Sei que ninguém é perfeito, todos têm seus defeitos, mas são pessoas que se empenham bastante, que vestem a camisa. Só que na hora do reconhecimento, não ganham nem um “muito obrigado”.

Tenho notado que isso está se tornando uma regra. Em todos os segmentos, em todos os lugares, se um trabalho é bem feito, não foi nada mais do que obrigação. Se por algum motivo a tarefa não é feita de forma adequada, o mijo corre solto. Ninguém escapa.

Estamos vivendo em uma sociedade individulizada, onde apenas o “eu” conta. O que é “meu”, o que é “para mim”. Esquecemos completamente das outras pessoas, principalmente aquelas que estão mais próximas de nós.

Quando pedimos (ou mandamos) alguma coisa, dificilmente retornamos com um “obrigado”. Se foi bem feito, nunca dizemos “parabéns, ficou muito bom”. Agora, se for ao contrário, reclamamos imediatamente, mostrando todos os erros cometidos e impondo que aquilo não pode mais se repetir.

Acontece que todos somos humanos; todos temos sentimentos e necessidades. A valorização das pessoas é peça fundamental em qualquer relacionamento, seja ele pessoal, profissional, amoroso. As pessoas têm a necessidade de se sentirem valorizadas, importantes. Peça alguma coisa a uma pessoa dizendo que você realmente precisa daquilo e essa pessoa o fará com toda a boa vontade do mundo e da melhor forma possível. Agora mande esta mesma pessoa fazer a mesma tarefa e o resultado será, com certeza, bem diferente. Além de fazer de qualquer jeito, a pessoa fará contrariada.

A explicação para isso é simples: quando dizemos a alguém que precisamos dela, estamos mostrando o quanto ela é importante para nós ou para a organização. Ao mandar, estamos rebaixando essa pessoa a um nível inferior, mostrando que somos melhores do que ela.

Se todos fôssemos honestamente gratos àqueles que fazem alguma coisa para nós, não importa o quê, pode ser uma coisa muito insignificante, mas mesmo assim, se agradecermos às pessoas, se mostrarmos o quanto são importantes, não só iremos melhorar o nosso ambiente como faremos com que as pessoas se sintam importantes. E não há palavra que possa transcrever o que uma pessoa sente quando é realmente útil.

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Comentários

  1. 1
    Janio Sarmento
    March 17th, 2006 at 21:10

    Isso para de acontecer num momento bem definido: quando o injustiçado resolve se rebelar e ativar aquele dispositivo: o FODA-SE.

    Aí ele passa a ser rotulado de louco, demente, irresponsável.

    Mas nada disso importa; o que importa realmente é o quão feliz o cara se sente. ;-)

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